03 de julho — Santo Otão de Bamberg, Bispo

03 de julho — Santo Otão de Bamberg, Bispo
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Natural da Suábia, teve Otão pais piedosos, que deram ao filho uma educação muito sólida. As virtudes, como os grandes talentos, fizeram-no merecedor da estima de todos que com ele viviam. O imperador Henrique IV nomeou-o capelão de sua irmã Judite, esposa de Boleslau, duque da Polônia. Durante a estada na Polônia aprendeu a língua daquele país. Judite morreu e Otão foi pelo imperador chamado ao cargo de secretário imperial e, mais tarde, de chanceler da corte.

Quando, anos depois, morreu Roberto, Bispo de Bamberg, foi o próprio imperador que indicou Otão para sucessor do mesmo, na sede episcopal. Debalde relutou. Henrique insistiu naquela nomeação justíssima, e Otão aceitou a mitra do bispado de Bamberg. Grandiosa lhe foi a entrada na metrópole. Embora fosse no inverno, Otão, quando chegou perto da cidade, apeou e descalço sobre a neve, andou até a catedral. Não tardou em relatar ao Papa a história da nomeação e pessoalmente foi a Roma, fazer ao Vigário de Cristo a entrega da mitra e do báculo, pedindo humildemente exoneração do cargo, do qual se julgava indigno. O Papa, porém, confirmou a investidura do imperador, deu a Otão o pálio e conferiu-lhe a sagração de Bispo. Assim autorizado, tornou-se Otão um grande apóstolo da sua terra. Um dos seus principais cuidados foi aproximar o imperador do Papa e fazer terminar a luta entre esses dois poderes temporal e espiritual. Com tanta habilidade soube agir, que não desmereceu a estima do soberano.

Além de muitas Igrejas, construiu vinte e um conventos. Perguntado uma vez porque fazia tantos mosteiros, respondeu: “Os conventos são a defesa da inocência, o abrigo da penitência, o refúgio dos pobres, doentes e necessitados”.

Era admirável o amor que tinha aos pobres. Quanto mais dava aos desprovidos de fortuna, tanto mais lhe cresciam os recursos. Em pessoa visitava os pobres doentes, confortando-os material e espiritualmente. Para o uso pessoal contentava-se com pouca coisa e em sua casa reinava a maior simplicidade. Houve quem censurasse e reprovasse esse modo de viver do Bispo, mas Otão respondeu: “Os bens do Bispo são esmolas dos fiéis; não convém, portanto, que os gastemos inutilmente”.

De Boleslau, duque da Polônia, filho de Judite e sobrinho do imperador Henrique IV, recebeu convite para pregar o Evangelho aos Pomeranos, povo que ele mesmo acabara de subjugar pelas armas. Otão requereu do Papa licença, para poder aceitar tão sublime missão e acompanhado de muitos clérigos, pôs-se a caminho para Pomerânia. Só Deus sabe quantos trabalhos os missionários tiveram, no meio dum povo bárbaro, pagão e supersticioso. Mais de uma vez os sacerdotes idólatras tramaram contra a vida do Bispo e seus auxiliares. Mas Deus protegeu-os e tanto lhes abençoou as fadigas e sacrifícios, que quase a Pomerânia inteira se curvou sob o doce jugo de Jesus Cristo. Otão erigiu muitas Igrejas e transformou completamente o espírito dos pobres pagãos e, tendo entregue os destinos do novo rebanho ao bispo Adalberto, voltou para sua diocese. Tempos depois lhe veio a notícia de diversas cidades terem abandonado o cristianismo, entregando-se de novo às superstições pagãs. Pela segunda vez foi então à Pomerânia; mas as dificuldades e a pertinácia dos renegados foram tais, que os companheiros de Otão quiseram entregar-se ao desânimo. O bispo, porém, exortou-os com estas palavras: “Não viemos aqui procurar o nosso bem-estar. Ou pensastes que nenhuma dificuldade deveria atravessar o nosso caminho? Desejava ver-vos todos prontos a aceitar a morte do martírio: não quero, porém, expor ninguém. Quem não tiver a coragem de acompanhar-me, pelo menos não embarace os meus passos”.

Os missionários, ouvindo estas palavras do Bispo, encheram-se de ânimo e recomeçaram os trabalhos. Deus abençoou-os de tal maneira, que não só voltaram à Igreja os que a tinham abandonado, mas ainda outras tribos pediram para ser admitidas na religião de Jesus Cristo.

O regresso a Bamberg foi um triunfo. Sentindo, porém, a morte aproximar-se, para ela se preparou com todo o fervor. Louvando a Deus, entregou-lhe o espírito em 1139, na idade de 70 anos.

Sem conta são os milagres com que Deus se dignou de glorificar o túmulo do Apóstolo, que se acha na Igreja que ele mesmo construiu em Bamberg.

Reflexões

1. Quanto mais Santo Otão dava a Deus e aos pobres, tanto mais abençoado parecia. A vida deste era a afirmação da promessa divina: “dai, e dar-se-vos-á” (Lucas 6, 38). Porque receias logo sair prejudicado e perder tua fortuna, quando te pedem para concorrer com tua esmola, em benefício de uma obra pia? Onde está tua fé na palavra divina? Não negues teu auxílio aos pobres. Dar esmola é lei que Deus deu, e necessário para tua salvação. Negar a esmola ao necessitado pode ter consequências desastrosas, como facilmente se deduz da sentença que espera os ímpios (Mateus 25, 41). A Bíblia apresenta-nos o mau rico (Lucas 16, 19). Ele foi condenado às penas do inferno. Mas por quê? “Não porque tivesse enganado os outros; não porque tivesse roubado e oprimido viúvas e órfãs, mas porque não tinha compaixão dos pobres, não dava esmola” (Santo Agostinho).

2. Logo que conheceu ter chegado a hora da partida deste mundo, Santo Otão tomou providências e recebeu devotamente os Santos Sacramentos. Por que é que tantos católicos, achando-se gravemente doentes, não se lembram de preparar a alma? Receiam que a enfermidade se agrave ou a morte se aproxime mais depressa? Fácil lhes seria observar o contrário. Se Deus te mandar uma doença grave, imita o exemplo de Santo Otão e trata sem demora de receber os Santos Sacramentos, que tanto consolo dão ao enfermo e bem fazem ao corpo, como à alma.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Alexandria o martírio de São Trifônio com doze companheiros, no tempo do Imperador Valente.

Em Cesareia, São Jacinto, camareiro do imperador Trajano. Acusado de ser cristão, teve de passar por muitos sofrimentos e morreu de fome no cárcere.

Em Chiusi, na Itália, os mártires Santo Irineu, diácono, e Santa Mustiola.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii