02 de setembro — Santo Estêvão, Rei da Hungria
02 de setembro — Santo Estêvão, Rei da HungriaExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Santo Estêvão foi o primeiro Rei cristão da Hungria. Filho de Géza, duque de Hungria, nasceu no ano de 975, na cidade de Esztergom. Os pais do Santo, ouvindo em certa ocasião prisioneiros cristãos falarem da religião de Cristo, quiseram conhecê-la e nela se instruíram. Tanto por ela se entusiasmaram que, largando as superstições pagãs, se tornaram cristãos e receberam o Batismo das mãos de Santo Adalberto, Bispo de Praga.
Santo Estêvão foi educado cristãmente, para que um dia pudesse ser servidor de Cristo em verdade e Príncipe modelar. Dotado de boa inteligência e possuindo vontade de instruir-se em tudo que era útil, natural era que fizesse grandes e rápidos progressos nos estudos. Sempre na companhia do Bispo Adalberto, tendo diante de si o exemplo e as instruções deste santo homem, adquiriu a santidade que tanto o elevou acima dos colegas. Tendo apenas quinze anos, o pai convidou-o para tomar parte ativa no governo da nação.
Pela morte do pai, Santo Estêvão tratou da conversão dos súditos ao cristianismo. Neste nobre tentâmen encontrou tenaz resistência de uma grande parte dos húngaros, que se opuseram à mudança de religião, do paganismo para o cristianismo. Estêvão recorreu à oração. Não podendo, porém, quebrar a resistência dos rebeldes, pegou em armas. Por muito tempo ficou indecisa a vitória.
Neste estado de coisas, Estêvão invocou os dois Santos — Jorge e Martinho, ambos de origem húngara, e fez a Deus o voto de fundar em todo o reino muitos conventos e edificar igrejas, querendo com o dízimo sustentar os sacerdotes do Senhor. O inimigo foi vencido e o cristianismo não mais encontrou resistência em sua entrada triunfal na Hungria.
Fiel ao que prometera, Estêvão encetou logo a fundação de conventos, dos quais o mais célebre foi o de São Martinho, nas proximidades de Győr, convento este, cuja pedra fundamental foi lançada ainda pelo pai de Géza. Foram fundadas dez dioceses, cuja administração confiou a homens instruídos e virtuosos da Itália e da Alemanha. O Papa Silvestre II não só aprovou as nobres iniciativas do jovem monarca, mas reconheceu-o oficialmente rei da Hungria, e enviou-lhe uma coroa riquíssima e uma cruz de alto valor, com o privilégio desta ser levada diante da pessoa do rei, em solene procissão. Além destas extraordinárias dádivas, o Papa distinguiu Estêvão com o título de Apóstolo da Hungria. Desde aquele tempo os reis da Hungria têm título de “Majestade Apostólica”. A “santa coroa” de Estêvão é considerada até hoje o símbolo do poder monárquico na Hungria e o príncipe que a cingir é reconhecido como rei legítimo daquela nação.
O ano de 1001 viu a solene unção de Estêvão, pelo Bispo portador da coroa mandada pelo Papa. No dia da coroação, Estêvão colocou o reino debaixo da proteção da Santíssima Virgem.
Terna devoção tinha à Mãe de Deus, à qual dedicou duas catedrais — a de Esztergom e a de Székesfehérvár, nas quais os reis da Hungria eram coroados e sepultados.
Com louvável energia Estêvão atacou e aboliu os costumes supersticiosos dos tempos idos e deu aos súditos leis sábias e severas. Um cuidado especial dispensava aos órfãos e às viúvas. Aos pobres o Rei em pessoa levava esmola e sustento. No seu apostolado civilizador e evangelizador, Estêvão encontrou forte apoio na cooperação fiel e dedicada da esposa Gisela, princesa bávara e irmã de Santo Henrique, Imperador da Alemanha.
Estêvão cultivava de um modo extraordinário o espírito de penitência. Cauteloso com o tempo, não perdia hora, ocupando-se sempre de coisas úteis no cumprimento do dever.
Dedicação especial da parte do Rei experimentaram os próprios filhos, dos quais o mais velho, Emérico, mais tarde, com o santo pai, recebeu as honras da canonização.
Nos três últimos anos de vida Estêvão foi visitado por muita doença. Sentindo a proximidade da morte, para ela se preparou com toda a piedade. Tendo em redor os representantes da corte e da alta nobreza do país, muito lhes recomendou a obediência ao Representante de Cristo sobre a terra, e a prática das virtudes cristãs. Munido dos Santos Sacramentos, morreu santamente, não sem ter novamente consagrado à Nossa Senhora a cara pátria. Estêvão entregou a alma ao Criador em 15 de agosto de 1038. A mão direita conservou-se-lhe incorrupta e é guardada com grandes honras.
Reflexões
Para que as nossas boas obras tenham valor sobrenatural, é preciso que nos achemos em estado de graça, porque a graça de Deus é a raiz de todo merecimento. Boas obras feitas no estado de pecado mortal, bem como os sofrimentos, mesmo que sejam os mais dolorosos, fora da graça santificante, a nenhuma recompensa no céu podem aspirar. “Se desse todos os meus bens aos pobres, não tendo a caridade, de nada valeria” (I Coríntios 13, 3), escreve São Paulo. Se não queremos perder o nosso merecimento para o céu, cuidemos de trabalhar e sofrer no estado da graça de Deus.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Em Roma, a mártir Santa Máxima, que na perseguição diocleciana deixou esta vida, trocando-a pela glória celeste. 304.
No Piceno, a memória do bispo Santo Elpídio. 422.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩