02 de março — São Gregório de Nissa
02 de março — São Gregório de NissaExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
São Gregório de Nissa foi membro de uma família privilegiada. Como Santos são venerados na Igreja Católica seus pais Basílio e Amélia e seus irmãos Basílio e Macrina. A data do seu nascimento não é conhecida, como também nada sabemos da sua mocidade. Parece, entretanto, que seu irmão Basílio se interessou muito pela sua instrução científica, se, aliás, nos é permitido interpretar neste sentido os termos elogiosos que Gregório emprega em referência a Basílio, quando fala a Pedro, seu irmão menor, no seu grande mestre e pai. Gregório ocupou o cargo de anagnoste (leitor) quando, seguindo os encantos da carreira profana, se exibia como mestre da eloquência, preferindo o predicado de orador ao de cristão. Provável é, se bem que alguns contestem, que tenha sido casado. As insistências, porém, dos seus amigos, principalmente as de Gregório de Nazianzo, fizeram-no tomar o estado eclesiástico. Renunciou à cadeira de retórica, retirou-se por algum tempo à solidão dum claustro e em 371 recebeu das mãos de Basílio a sagração de Bispo de Nissa, cidade na Capadócia. Lá o esperavam as lutas mais renhidas contra os arianos. Em 375, um sínodo de bispos arianos em Ponto sentenciou sua deposição, obrigando-o a uma vida penosa e errante. A morte do imperador Valente (378), grande amigo do arianismo, trouxe uma mudança muito grande na vida político-religiosa e Gregório, sob as manifestações de júbilo dos seus diocesanos, pôde fazer sua entrada triunfal em Nissa.
No sínodo de Antioquia como no segundo concílio ecumênico de Constantinopla (381) sua competência e autoridade de teólogo dogmático foram decisivas nas questões mais vitais.
São Gregório de Nissa foi um dos escritores eclesiásticos mais férteis e eruditos do seu tempo. De muito valor e imperecível são seus trabalhos dogmáticos, principalmente a sua obra “A Grande Catequese” que apresenta uma sólida explicação e apologia dos grandes dogmas do cristianismo contra pagãos, judeus e hereges.
Presumivelmente o grande nissense morreu pouco tempo depois de um sínodo que em 394 se realizou em Constantinopla, sob a presidência do Patriarca Nectário.
Reflexões
1. O erro acompanha a verdade, como a sombra a luz. Em todos os tempos houve heresias, e vemos a Igreja em luta contra o erro. As heresias dos nossos dias são o protestantismo (metodismo) e o espiritismo. Para não cair nos erros destas seitas perigosas e perniciosas é antes de tudo necessário evitar o contato com hereges e suas publicações. Pais católicos cometem grande pecado e incorrem nas penas canônicas, se confiarem seus filhos a mestres ou colégios acatólicos. Nenhum católico pode licitamente ler livros, jornais e revistas protestantes (inclusive a Bíblia protestante) e espíritas. “Vós, pois, caríssimos, estando já de antemão advertidos, guardai-vos para que não caias da própria firmeza, levados pelo erro desses insensatos” (II Pedro 3, 17).
2. O espírito da heresia tem sido sempre, e ainda é o espírito do orgulho. “A soberba — diz Santo Agostinho — é a mãe de todos os hereges.” A soberba se alia às paixões mal retidas. “Os estultos, — diz São Paulo — mudaram a glória de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível… pelo que Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície; de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Mudaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador… Por isso, Deus os entregou a paixões de ignomínia” (Romanos 1, 22-26). Sejamos castos, sejamos puros, e nuvem nenhuma escurecerá a serenidade da nossa fé. “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mateus 5, 8).
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩