01 de maio — Santos Filipe e Tiago, Apóstolos

01 de maio — Santos Filipe e Tiago, Apóstolos
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Filipe era natural de Betsaida, na Galileia. Deus Nosso Senhor o chamou ao Apostolado no mesmo dia com São Pedro e Santo André. Segundo Clemente de Alexandria teria sido Filipe aquele Apóstolo que pediu ao Divino Mestre licença para sepultar seu pai e de Nosso Senhor recebeu a resposta: "Segue-me e faze os mortos sepultar os mortos." São João Crisóstomo diz de São Filipe que fora casado e tivera algumas filhas. Filipe obedeceu à voz do Divino Mestre e tornou-se um Apóstolo. Tendo conhecido de perto a Jesus, convidou também a Natanael para que se associasse ao Messias. Três dias depois acompanhou a Nosso Senhor nas bodas de Caná. Decorrido um ano foi recebido entre os Apóstolos. Foi Filipe a quem, no dia da multiplicação dos pães, perguntou a Jesus donde havia de arranjar comida para tanta gente. Certa ocasião em que vieram alguns pagãos para ver a Jesus, foram Filipe e André que os apresentaram ao Divino Mestre. Quando Jesus no seu discurso de despedida repetidas vezes se referiu ao nome de seu eterno Pai, pediu-o Filipe, que lhes mostrasse o Pai, Jesus lhe respondeu: "Filipe, quem vê a mim, vê ao Pai."

São estas as únicas referências que o Evangelho faz a respeito de São Filipe. Escritores competentes pretendem que algumas filhas de São Filipe se casaram e que o pai, depois de ter pregado na Judeia, se dirigiu à Frígia. Reza mais a história que Filipe foi crucificado em Hierápolis, lapidado e sepultado com duas de suas filhas. Sua morte não deve ter caído antes do ano 80, porque foi neste ano que seu discípulo, São Policarpo, se converteu à religião de Cristo.

Teodoreto afirma que o Imperador Teodósio, o Grande, teve uma visão de São João Evangelista e de São Filipe, que lhe prometeram a vitória sobre o tirano Eugênio. De fato, contra toda a expectativa, o inimigo foi desbaratado, o que muito contribuiu para que a confiança do povo romano no Santo crescesse extraordinariamente.

As relíquias de São Filipe estão guardadas numa igreja de Roma, que é consagrada a São Filipe e Tiago. Um braço que existia em Constantinopla, no ano de 1204, foi transportado para Florença.

Da sua vida conta-se um fato extraordinário ocorrido em Hierápolis, no dia em que Filipe foi conduzido diante do altar do deus Marte para ser obrigado a oferecer incenso a esta divindade. Uma cobra venenosa, que estava escondida debaixo do altar pagão, saindo do seu esconderijo, matou o filho do sacerdote-mor com mais dois tribunos, que tinham algemado o Apóstolo. Filipe chamou-os à vida e matou a serpente. Este milagre causou a conversão de muita gente.

São Tiago, cognominado o Menor, recebeu, devido à sua grande santidade, o título de Justo. São Paulo chama-o "Irmão de Nosso Senhor", por causa do seu parentesco próximo com Jesus Cristo. Seus pais eram Alfeu e Maria. Seus irmãos eram José, o Apóstolo Judas Tadeu e Simão, o Zelote. Chamado por Jesus no segundo ano da sua vida pública, Tiago com seu irmão Judas Tadeu foi incorporado ao Colégio dos Apóstolos.

De quão alta estima gozava da parte de Nosso Senhor, prova é que Jesus Cristo distinguiu a São Tiago com uma aparição particular depois da sua gloriosa ressurreição. Antes de subir ao céu, Jesus Cristo deu a seu Apóstolo o dom da ciência, como recompensa da sua extraordinária santidade.

Segundo São Jerônimo e Santo Epifânio, Nosso Senhor antes de subir ao céu teria recomendado a São Tiago de um modo especial a igreja de Jerusalém. Certamente por este motivo os Apóstolos antes da sua separação deixaram a São Tiago como primeiro Bispo de Jerusalém. Santo Epifânio elogia em São Tiago sua grande pureza. Sua vida era a dos Nazarenos, como diz Hegésipo: desde o dia do nascimento consagrado a Deus, não cortava o cabelo, não bebia vinho, abstinha-se completamente do álcool, não se banhava, nem usava unguentos; não comia carne, com exceção do cordeiro pascal. Viveu vida extraordinariamente santa e austera. O povo de Jerusalém muitas vezes experimentou o grande valor da sua intercessão junto de Deus.

A cidade toda de Jerusalém teria se convertido à religião de Jesus, se a inveja dos fariseus e escribas não tivesse prejudicado a obra do santo Apóstolo.

Junto com o Apóstolo São Pedro recebeu em 37 a Paulo na comunhão dos fiéis. Em 42 enviou Barnabé à Antioquia, e ele mesmo assistiu ao concílio apostólico em Jerusalém. Tinha morrido o governador Festo, e o Sumo Sacerdote Anás, filho do ímpio Anás da Paixão de Nosso Senhor, convocou o grande conselho que deliberasse sobre os meios de exterminar a religião de Cristo. Tiago também era convidado a comparecer e fazer suas declarações a respeito do Messias. O Apóstolo disse então que o Messias tinha vindo na pessoa de Jesus Cristo. Era tempo da Páscoa e havia muita gente em Jerusalém. Quiseram então, os conselheiros, que Tiago falasse do ponto mais alto do templo, para que o povo todo o ouvisse. Quando Tiago em cima estava, debaixo gritaram-lhe os fariseus e escribas: "Dize-nos, santo homem, o que devemos crer a respeito de Jesus crucificado. O que nos dizeres nós aceitaremos como a expressão da verdade." O Apóstolo respondeu-lhes em alta voz: "Que pergunta é esta que me fazeis sobre o Filho do Homem? Ele está assentado à mão direita de Deus Onipotente e tornará a vir sobre as nuvens do céu." Ao ouvirem estas palavras, alguns se converteram e começaram a bendizer a Deus em altos brados: "Hosana ao Filho de Davi!" Os escribas, arrependidos de terem apelado para o testemunho do Apóstolo, contradisseram exclamando: "Também o justo está no erro!" Correram para cima, para junto de Tiago e precipitaram-no de grande altura. Da queda o Apóstolo não morreu e se pôs de joelhos para orar pelos seus inimigos. Ouvia-se, então, vozes que pediam que o matassem e o grande conselho determinou que fosse lapidado. Um recabita, porém, objetou dizendo: "Que estais a fazer? Não vedes, então, que o justo está por vós rezando!?" Mas os judeus a nada mais atendiam e continuaram a atirar pedras contra o Apóstolo. Finalmente veio um pisoeiro e deu-lhe com o pisão na cabeça, matando-o. Tal aconteceu em 10 de abril de 62. Seu corpo foi sepultado no lugar do martírio. Oito anos depois, Jerusalém foi destruída. Os judeus reconheceram nisto o castigo de Deus pela morte injusta de São Tiago. Seu corpo foi, em 572, transferido para Constantinopla.

De São Tiago possuímos uma epístola, a primeira das sete epístolas apostólicas do Novo Testamento.

Reflexões

1. Desde o momento que trouxe o conhecimento de Cristo a Filipe, este tudo fez para também conduzir outras pessoas a Nosso Senhor. O mesmo Deus espera de nós: que nos prevaleçamos do conhecimento certo da verdade para aumentar o reino de Cristo na terra. Ai daqueles que não o fizerem, ou até pelo contrário trabalharem pela propagação do erro e pelo estabelecimento do reino do príncipe das trevas. Quem uma vez contribuiu com seu exemplo e sua palavra para dar escândalos a outros, motivo tem para chorar a vida toda o mal que fez, e tudo deve fazer para ver se paralisa os efeitos perniciosos de suas ações. Converter os pecadores, reconduzir os errantes ao caminho da verdade é obra de sumo merecimento. "Se alguém, entre vós, se desviar da verdade, e algum outro o reconduzir a bom caminho, deve saber que aquele que fizer converter a um pecador do erro do seu descaminho, salvará a sua alma da morte e cobrirá a multidão dos pecados." (Jac. 5, 19, 20). E pelo contrário: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que fechais o reino dos céus diante dos homens; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam deixais entrar." (Mateus 23, 13). Mais miseráveis e desgraçados serão aqueles que trabalharem contra o reino de Cristo, afastando as almas do conhecimento da verdade, conduzindo-as à eterna perdição.

2. São Tiago reza pelos seus inimigos, cumprindo assim a ordem do seu Mestre e imitando seu sublime exemplo. Também nós devemos perdoar aos nossos inimigos e rezar por aqueles que nos fizeram mal, se, aliás, queremos que de Deus sejamos perdoados. "Se vós perdoardes as ofensas que tendes deles: também vosso pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas, se não perdoardes aos homens, tão pouco vosso pai perdoará os vossos pecados." (Mateus 6, 13). Outro sentido não podem ter as palavras que Nosso Senhor nos manda recitar no Padre-Nosso: "Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores", isto é, perdoai-nos à medida que nós perdoamos o nosso próximo.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
01 de maio — Santos Filipe e Tiago, Apóstolos — Padre João Batista Lehmann