01 de junho — São Pânfilo, Sacerdote e Mártir

01 de junho — São Pânfilo, Sacerdote e Mártir
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Grande é o valor da ciência, quando, santificada pela religião, tem por objeto a glória de Deus. Foi este o intuito de São Pânfilo, quando se dedicou ao estudo das ciências. Pânfilo, natural de Berytus, na Fenícia, era filho de pais ricos e considerados. Tendo feito seus estudos nas ciências que se ensinavam nas escolas daquele país, ocupou altas posições no serviço do Estado. Uma vez conhecendo Jesus Cristo toda a sua atenção era dirigida à sua própria salvação. Retirou-se do mundo e dedicou-se exclusivamente ao estudo da Sagrada Escritura, da qual fez diversas cópias, distribuindo-as a diversas pessoas, gratuitamente. Mestre que era, não considerou debaixo de sua honra associar-se aos discípulos de Piério, sucessor do grande Orígenes na escola de Alexandria. Depois se estabeleceu em Cesareia, na Palestina, onde, à própria custa, organizou uma biblioteca riquíssima de mais de 3.000 obras, entre as quais figuraram todas dos autores antigos. Desta fonte se aproveitou Eusébio, quando escreveu sua história.

Em Cesareia abriu Pânfilo uma Academia para os estudos da Bíblia, da qual ele mesmo publicou uma edição esplêndida. Admirador de Orígenes, o defendeu admiravelmente. O que mais causa admiração na vida de São Pânfilo é a sua grande humildade. Para alcançar um completo desapego de tudo que é deste mundo, ele distribuiu entre os pobres sua herança paterna e retirou-se à solidão.

Numa perseguição organizada pelo governador Urbano, Pânfilo foi metido no cárcere. Com muita eloquência defendeu a sua fé, o que lhe importou cruel flagelação. Urbano caiu no desagrado do Imperador Maximino, foi cruelmente arrastado pelas ruas da cidade e decapitado. Em seu lugar veio Firmiliano, que continuou a perseguição aos cristãos. Citou perante seu tribunal a Pânfilo, o Diácono Valente, que sabia de cor toda a Bíblia e o cristão Paulo, os quais, como não quisessem renegar a fé, condenou à morte. Porfírio, que tinha pedido licença de poder enterrar os corpos dos mártires, por ser cristão, teve de sofrer a mesma pena: foi esquartejado e seu corpo atirado ao fogo. Teódulo, amigo de Firmiliano, foi crucificado imediatamente, por ter abraçado um dos pobres cristãos condenados à morte. Juliano, ainda catecúmeno, sofreu morte pelo fogo, por ter beijado os corpos dos mártires. Pânfilo e seus companheiros sofreram o martírio da decapitação em 16 de fevereiro de 309. Seus corpos ficaram insepultos. Passados quatro dias, foram encontrados intactos pelos cristãos, que os sepultaram com todas as honras.

O martirológio menciona seus nomes no dia de hoje.

Reflexões

Que os fiéis e dedicados amigos de Deus passam por maiores provações, é um fato que se observa diariamente. Seria ingratidão e injustiça da parte de Deus, se assim remunerasse os serviços a ele prestados. Os Santos, porém, longe de fazerem tão desfavorável conceito, enxergam nos sofrimentos a mão caridosa de nosso Pai, que está nos Céus. Os Apóstolos e os mártires consideram grande distinção, poder sofrer neste mundo. São Pânfilo suportou com a maior conformidade as penas do martírio. Também nós sofreríamos com mais paciência, se quiséssemos compreender a bondade de Deus, que nos convida para levarmos a nossa cruz. Se, apesar do seu amor paternal, nos faz sofrer, é claro que tem em mira bens superiores. E de fato: o sofrimento, mais que a alegria, leva-nos para Deus e faz com que evitemos o pecado e nos conservemos na humildade. As provações são, além disto, ocasião oportuna de penitenciar os nossos pecados e obter deles o perdão, como a remissão de suas penas. Tendo sempre esta verdade diante dos olhos, mais fácil nos será aceitar de boa mente o sofrimento, que a divina Providência nos quiser enviar.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312