01 de julho — São Galo, Bispo
01 de julho — São Galo, BispoExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
São Galo, filho de pais nobres, nasceu em 489, em Clermont. Tendo recebido uma educação exemplar, era vontade dos progenitores, que contraísse matrimônio com uma donzela de nobre estirpe. Para não ver contrariados os seus planos, que visavam unicamente uma vida no serviço de Deus, Galo abandonou a casa paterna e pediu admissão entre os monges do convento de Cournou, a qual lhe foi concedida depois de lhe ter dado o pai o consentimento.
Galo distinguiu-se entre os religiosos, não só pelo amor à mortificação, como também pela dedicação e fidelidade na prática das demais virtudes monásticas. Dotado de um órgão vocal belíssimo, seu canto no coro era uma delícia para todos, a quem era dado ouvi-lo. Quinciano, Bispo de Clermont, descobrindo no jovem religioso qualidades superiores e vocação declarada para o estado sacerdotal, tomou-o para sua companhia e conferiu-lhe o diaconato. Pouco tempo depois, Galo recebeu um convite para a corte de Teodorico, rei da Austrásia e lá permaneceu até o ano de 527. No mesmo ano faleceu o bispo Quinciano e o povo aclamou Galo sucessor do mesmo.
A humildade, a amabilidade, a mansidão e caridade, virtudes que já possuía em alto grau, fizeram com que Galo, elevado à dignidade de Bispo, se tornasse o ídolo dos diocesanos. Admirável era a paciência, a mansidão, com que sofria injustiças e maus-tratos.
Houve um senador de nome Evódio, que mais tarde veio a ser sacerdote. Um dia este senhor se esqueceu de tal forma do respeito que devia ao Bispo, que, deixando-se levar pelos ímpetos de cólera, cobriu de infâmias ao superior. Galo, sem proferir uma palavra de repulsa ou defesa, levantou-se da cadeira e foi à Igreja. Esse exemplo de mansidão fez tal impressão em Evódio, que, arrependido do procedimento incorreto, procurou imediatamente o Santo Bispo e, prostrando-se-lhe aos pés, humildemente lhe pediu perdão. Galo abraçou-o com toda cordialidade e quem pouco antes o injuriara, veio a ser-lhe amigo dedicado.
Muitos foram os milagres, que Deus se dignou de fazer por meio do seu fiel servo. Um pavoroso incêndio, que ameaçava destruir a cidade toda, foi extinto pela oração do santo Bispo. A bênção do Prelado preservou o rebanho de uma terrível epidemia, que dizimara a população das províncias vizinhas. Depois de longo e abençoado episcopado, Deus o chamou para lhe dar a merecida recompensa. Galo aceitou a última e prolongada doença com toda a conformidade e paciência, até que a morte lhe abriu as portas do paraíso, a 1 de julho de 553.
Reflexões
Do exemplo de São Galo aprendamos a virtude da mansidão. Sem a mansidão não pode haver paz. Para que a paz se estabeleça e se conserve, é necessário que se tenha paciência com os defeitos do próximo; que se lhe suportem resignadamente as fraquezas; que se perdoem faltas cometidas. A mansidão é o único meio de desarmar o inimigo e de conquistar-lhe a simpatia. Esforça-te por viver em paz com todos. Evita tudo o que possa provocar discórdia e inimizade. Geralmente são os seguintes vícios que destroem a paz na sociedade: a avareza, o egoísmo, a soberba, a inveja, a pretensão, a teimosia, a vingança, a dureza, a injustiça, a mentira e a maledicência.
O cristão deve ter toda a cautela, para nenhum destes vícios conseguir alojar-se-lhe no coração. Quem quer viver em paz com o próximo, deve saber perdoar, desculpar, ter paciência com os defeitos alheios e praticar a caridade por palavras e obras, sempre que para isso se apresentar ocasião. “Bem-aventurados os mansos, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5, 9).
“Se for possível, — escreve São Paulo aos Romanos — quanto estiver da vossa parte, tende paz com todos os homens… Sigamos as coisas que são de paz” (Romanos 12, 18; 14, 19.) “Rogo-vos que andeis como convém… com toda a humildade e mansidão, com paciência, sofrendo-vos uns aos outros em caridade” (Efésios 4, 2). “Longe de vós seja toda a amargura, a ira, a indignação, a gritaria e a blasfêmia… Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus por Cristo vos perdoou” (Efésios 4, 31, 32.)
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
No monte Hor a memória de Santo Aarão, primeiro Sumo Sacerdote, irmão de Moisés, e Maria, filhos de Anrão. Era chefe dos Levitas. Pecou pela confecção do bezerro de ouro. O sinal de ter sido confirmado por Deus como Sumo Sacerdote foi sua vara, que, colocada no tabernáculo sagrado, cobriu-se de folhas, flores e frutas. Porque, como Moisés, seu irmão, duvidou da palavra de Deus, não lhe foi dado o prazer de levar o povo de Israel para a terra da promissão. Viveu 123 anos e morreu no ano 1452 antes de Cristo.
A arte o apresenta com o turíbulo na mão, ou com a vara reverdecida, no ornato pontifício. É padroeiro da “obra dos tabernáculos”.
Em Vienne, França, São Martinho, discípulo dos Apóstolos. Diz a lenda, destituída, aliás, de qualquer prova histórica, que como pagão que era, teria sido testemunha ocular da crucificação de Nosso Senhor, e dos fenômenos que a acompanharam. Profundamente impressionado pelo que vira, teria efetuado sua conversão.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩