01 de agosto — Festa das Cadeias de São Pedro, Apóstolo

01 de agosto — Festa das Cadeias de São Pedro, Apóstolo
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

A Igreja Católica comemora hoje um fato extraordinário, que se deu na Igreja primitiva, e que bem mostra a visível proteção de que goza, da parte de Deus: a libertação de São Pedro das cadeias. O acontecimento encontramo-lo referido nos Atos dos Apóstolos (Cap. XII):

"Naquele mesmo tempo, o rei Herodes começou a maltratar alguns da Igreja. E matou à espada Tiago, irmão de João.

E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender Pedro. Eram então os dias dos ázimos. E, tendo-o mandado prender, meteu-o no cárcere, dando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, tendo intenção de o apresentar ao povo depois da Páscoa.

Pedro, pois, estava assim guardado no cárcere. Entretanto, a Igreja fazia sem cessar oração a Deus por ele. Ora, na mesma noite em que Herodes estava para o apresentar, Pedro dormia entre dois soldados, ligado com duas cadeias; e os guardas à porta vigiavam o cárcere. E eis que sobreveio um anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz no aposento; e, tocando no lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E caíram as cadeias das suas mãos. E o anjo disse-lhe: Toma a tua cinta, e calça as tuas sandálias. E ele fez assim. E disse-lhe: Põe sobre ti a tua capa, e segue-me. E ele, saindo, seguia-o, e não sabia que era realidade o que se fazia por intervenção do anjo; mas julgava ver uma visão. E, depois de passarem a primeira e a segunda guarda, chegaram à porta de ferro que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma. E, saindo, passaram uma rua, e, imediatamente, o anjo afastou-se dele.

Então Pedro, voltando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor mandou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus. E, depois de um momento de reflexão, foi a casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde estavam muitos reunidos em oração. E, quando ele bateu à porta da entrada, uma donzela, chamada Rode, foi ver. E, logo que conheceu a voz de Pedro, de tanta alegria não lhe abriu a porta, mas, correndo, deu a nova de que Pedro estava à porta. Eles, porém, disseram-lhe: Tu estás louca. Mas ela afirmava que era assim. E eles, diziam: Então é o seu anjo. Entretanto Pedro continuava a bater. E, tendo aberto, viram-no, e ficaram estupefatos. Ele, porém, tendo-lhes feito sinal com a mão para que se calassem, contou-lhes de que modo o Senhor o tinha livrado da prisão, e disse: Fazei saber isto a Tiago e aos irmãos. E, tendo saído, foi a outra parte".

As correntes com que Pedro estivera preso, caíram nas mãos dos cristãos, que as guardaram na Igreja de Jerusalém, como relíquia de grande valor. No ano 439, o Patriarca Juvenal as deu de presente à Imperatriz Eudóxia, que, por ocasião da peregrinação aos Santos Lugares, merecera a gratidão dos cristãos, por sua grande liberalidade.

De posse de ambas as correntes, Eudóxia mandou uma à filha, chamada igualmente Eudóxia, casada com Valentiniano III, Imperador romano. Esta, extremamente sensibilizada com o precioso presente, mostrou-a ao Papa Sisto III, que mandou trazer a outra corrente, com a qual Pedro estivera algemado no cárcere mamertino, por ordem do Imperador Nero. No momento em que confrontaram as duas correntes, estas, como se tivessem ficado com vida, se uniram estreitamente, formando uma só corrente. A Imperatriz mandou construir no monte Esquilino uma igreja, que foi consagrada no dia 1 de agosto e dedicada às correntes de São Pedro, que lá se acham até hoje e gozam de grande veneração dos fiéis.

Que esta veneração é do agrado de Deus, demonstram os fatos maravilhosos que se deram, no decorrer dos séculos, em relação àquelas correntes. A pedido do povo cristão, os Papas consentiram que das correntes fossem tiradas partículas que, embutidas em cruzes ou chavezinhas de ouro, passaram para a veneração particular, como preciosas lembranças do Príncipe dos Apóstolos.

Um fidalgo da Lombardia, — assim refere São Gregório Magno —, fazendo de uma dessas chavezinhas objeto de escárnio, ficou possesso do demônio e suicidou-se. Um outro fidalgo, que se achava na comitiva do Imperador Otão I, estando possesso do demônio, ficou livre da possessão, no momento em que lhe suspenderam ao pescoço as correntes de São Pedro.

Reflexões

São Pedro, embora inocente, é perseguido, metido no cárcere e condenado à morte. Deus permite que seus mais dedicados amigos sofram injustiças. São Pedro, perfeitamente conformado com a sorte, tendo a consciência tranquila, entregou-se a Deus e dormiu sossegadamente, agrilhoado na prisão. O exemplo de São Pedro deve animar-nos a resignarmo-nos sempre com a vontade de Deus, tendo apenas o cuidado de não praticar atos que possam perturbar a paz da nossa consciência. Humanamente falando, não havia esperança nenhuma de São Pedro salvar-se da situação dificílima em que se achava. Os cristãos rezavam com muita insistência pelo chefe e, quando as coisas chegaram ao extremo, parecendo inevitável a morte de Pedro, Deus mandou-lhe o Anjo salvador. Assim também nós não devemos entregar-nos ao desânimo. Sejam quais forem os sofrimentos e lutas, que pareçam querer nos oprimir, a nossa esperança deve estar sempre em Nosso Senhor, que não abandona os seus fiéis servidores.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Antioquia, o martírio da Mãe dos Macabeus com seus sete filhos quando Antíoco governava em Israel. São chamados Macabeus, porque sua história é contada no 2º livro dos Macabeus.

Em Roma, a memória das três meninas Fé, Esperança e Caridade, que, com sua mãe Sofia, sofreram o martírio. Procedentes de Milão ou da Grécia, vieram para Roma no tempo do Imperador Adriano. Seus nomes gregos são Pistis, Elpis e Ágape. Embora seja um tanto lendária, sua vida e seu martírio tem fundamento histórico.

Na Ásia Menor, o martírio de Leôncio, Ácio, Alexandre e mais seis companheiros, todos lavradores, decapitados sob o governo de Diocleciano.

Na Inglaterra, a comemoração do bispo Ethelwold, O. S. B. de Lindisfarne. 740.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii