Sobre o erro de pensar que as falsas liberdades da modernidade são um direito natural, e da licenciosidade em não moderá-las ao tolerá-las
Sobre o erro de pensar que as falsas liberdades da modernidade são um direito natural, e da licenciosidade em não moderá-las ao tolerá-las“Portanto, do que foi dito segue-se que de modo nenhum é lícito pedir, defender, conceder a liberdade de pensar, de escrever, de ensinar, e igualmente a promíscua liberdade das religiões, como (se fossem) outros tantos direitos que a natureza deu ao homem. Pois se verdadeiramente a natureza tivesse dado (tais ‘direitos’), haveria direito de se recusar o império de Deus, e a liberdade humana não poderia ser regulada [temperari] por nenhuma lei. — Similarmente segue-se que estes gêneros de liberdade podem na verdade, se houver causas justas, ser tolerados, contudo com definida moderação, para que não degenerem em licenciosidade e em insolência. — Onde na verdade vige o costume destas liberdades, (que) os cidadãos as transfiram para a faculdade de fazer retamente, e o que a Igreja sente sobre elas, (que) eles mesmos sintam o mesmo. Pois toda liberdade (deve ser) considerada legítima, na medida em que traga uma maior faculdade de coisas honestas, fora isso, nunca. Onde uma dominação oprima ou ameace de tal modo, que mantenha a cidade oprimida com força injusta, ou force a Igreja a carecer da liberdade devida, é lícito buscar outra temperação da república, na qual seja concedido agir com liberdade: pois então não é procurada aquela imoderada e viciosa liberdade, mas algum alívio, por causa da salvação de todos, é buscado, e isto unicamente se faz para que, onde a licença das coisas más é atribuída, ali a potestade de fazer honestamente não seja impedida” (Papa Leão XIII, Encíclica Libertas praestantissimum, de 20 de junho de 1888)